
Aprendi com a minha mãe.
Uma vez, enquanto eu ouvia Björk, ela pediu:
- Toni, abaixa isso um pouco, essa música me deixa confusa, não me faz bem.
Achei a justificativa dela tão simples e tão precisa que atendi logo. Atendi e entendi. Simples assim: não gosto porque não me faz bem.
Usei muito disso durante a graduação, quando resolvi fazer minha monografia sobre o funk carioca. “Você gosta disso”? Me perguntavam, geralmente apavorados, aqueles acadêmicos esquisitos. Gosto, muito. Gosto porque me faz bem, porque me agita, porque me balança, porque me diverte. Simples assim. E olha que nesse caso eu poderia ser bem mais complexo, falar das origens da música, de tudo o que há por trás, mas não. Eles que se entendam, aqueles acadêmicos.
Adoro as saídas simples que as pessoas têm para as coisas e situações que elas não querem ou não gostam de fazer ou passar.
Uma amiga do trabalho, intimada a atender um grupo de investidores japoneses, recusou-se terminantemente: “Gente, eu não tenho sapato pra lidar com esse tipo de gente”, justificou-se. Virou bordão.
É assim que me parece justo.