6 de abr de 2009

O dia em que fui mais feliz (ou "Autoajuda 2")


Eu me lembro exatamente o dia mais triste da minha vida.
Foi um só, foi arrebatador.

Mas o dia mais feliz da vida, esse eu juro que não sei.
E não é porque eu não tenha tido. É exatamente o contrário.
Eu tive vários e tantos que não sei precisar qual deles foi o mais intenso, o mais incrível.
O melhor é que sigo colecionando esses dias, pelo menos uma vez ao mês eu tenho um dia mais feliz da minha vida.

De tanto ser assim eu passei a reconhecer os dias mais felizes das pessoas à minha volta.
A moça que senta aqui ao meu lado no trabalho, por exemplo.
Hoje é o dia mais feliz da vida dela.
Ela cortou o cabelo e todo mundo notou. Todo mundo elogiou. Em agradecimento ela sorriu de um jeito tão colorido que eu entendi: pronto, é o dia mais feliz da vida dela. Pelo menos o desse mês. Amanhã ela lembra dos problemas todos, porque sim, ela tem muitos. Hoje não.
Parece pouco, né? Mas não é não. É muito! Pra ela é muito.
Pra ela e pra todo mundo que entende que felicidade é assim mesmo. Um momento, uma fração, rapidinha, um segundinho. Aí é com você: ou você guarda ou desperdiça. Mas se guarda, aí é o tal do dia feliz.

E existem outras maneiras de ter dias felizes também.
Aqui no Rio tem um monte de lugar que já tem dias felizes prontinhos, é só chegar e pegar.
Ontem mesmo eu fui pegar o meu ali na Lagoa. Um belo domingo de sol, um passeio de bicicleta ao lado de quem me faz feliz e bingo! O mês nem bem começou e já tive o dia mais feliz da minha vida!

Reparou?
O dia mais triste da minha vida é um só.
O dia mais feliz não dá nem pra ser escrito no singular, não soa bem.
Porque tristeza a gente quantifica e felicidade a gente qualifica.
Aí é batata.