17 de mai de 2008

Amores


Desde pequeno eu sou assim. Adoro sapatos.

Gosto de todas as cores, de todos os modelos, tênis despojados, sandálias abertas, não faço a menor distinção. Tem que me agradar, e pronto.

Não precisa nem ser confortável, sapato a gente amacia com o tempo. Você usa a primeira vez, os calos castigam. Coloca um band-aid! Ele vai cedendo, tomando a forma do seu pé, e ali em cima de onde era um calo a pele fica dura, rígida, difícil machucar de novo.

E quando eu tenho um sapato novo, nossa! Eu quero mostrar pra todo mundo, tenho orgulho, desfilo com ele pra cima e pra baixo, uso todo dia, toda noite, nunca canso.


Mas os sapatos, esses têm cansado sempre.
Não resistem, pobres sapatos.
Eu ainda tento, remendo, mando reforçar as solas, o sapateiro reforça as costuras, mas uma hora não dá mais.
Aí os sapatos, inevitalmente, têm que ir pro lixo.

Entre um sapato e outro, acabo passando longos tempos descalços.
Os pés ficam livres, as marcas dos calos somem (algumas, mais profundas, estas não somem).

Mas não tem jeito, sou assim, desde pequeno.
Adoro sapatos.