31 de mai de 2006

Pra começar...

Segunda-feira

Hoje acordei assim, sem vontade nenhuma de ser objetivo.

O trabalho me invoca, me provoca, me instiga e intriga. E a cada página eu recuo, me fecho, me torno tão introspecto que nem pronuncio nada além do que há de mecânico em mim. Bom dia, digo. E soa bem, ninguém percebe.

No mp3 player só tocam músicas estranhas, mas sou eu quem as busco. Não quero nada inteligível, nada entendível. Quero sentir o embalo mas não entender as letras; quero só ouvir, mas aquele ouvir descomprometido. E se pudesse, sobreviver sem cérebro, sem assimilar nada, passar simplesmente, deixar passar, e só.

Tenho vontade de tanta coisa... Mas não tenho coragem pra nada, mas nem vou entrar nesse mérito. Aliás, nem sei o que me traz aqui.

Quero logo terminar isso, esse texto cheio de palavras. Voltar a fingir que sou eu, voltar a achar que amanhã é terça-feira, que já é quase quarta, que já é quase quinta, que é vespera de sexta, à tarde.

Tanta coisa acontecendo, gente entrando e saindo da sala o tempo todo, gente conversando, gente reclamando. Aliás, hoje não quero nem reclamar de nada. Acordei meio implicante, meio impaciente, ansioso por querer logo que chegue amanhã, depois de amanhã, mês que vem. Por que? Não tenho a menor idéia.

As pessoas falam de amor, as músicas falam de amor, as novelas falam de amor. Eu quero hoje é falar do desamor, do desânimo, do desdém. Quero falar de prefixos.

Quero falar do que vem antes, antes mesmo de começar a pensar sobre.E se é assim então, não quero falar de desamor, quero falar do pré-amor, quando não há nada ainda, nem vontade de entender.

Sou hoje o que escreve sobre essas pessoas que entraram aqui e saíram. Sou o que escreve sobre o que passa e ninguém nota. Sou hoje o que tenta enternizar o que não pode ser contado, enumerado, listado. Será que só eu percebo o quanto somos vazios? Será que só eu percebo o quanto somos prolixos e acabamos deixando para o final o que é mais importante?

E é assim que tem que ser: escrever sem revisar, sem voltar atrás, sem reler. Deixar que o pensamento organize;a linearidade é só uma arma para tornar tudo igual e hoje, hoje quero ser desigual, desunido, desnutrido de denotação.
E ao final, quando chegar o ponto que acaba, salvar e voltar para realidade nua e crua, com dicionários, googles e fluxogramas.

A vida é assim mesmo, é só segunda-feira. Dia chato e cinza - hoje particularmente é cinza mesmo, cheinho de nuvens de chuva.
E só segunda, amanhã passa, amanhã tudo fica colorido de novo.

Vou lá ler meu horóscopo, ele vai me dizer com tenho que ser hoje, e assim vou saber como começar.
Por isso escrevo antes, porque não sei ainda se estou de mal-humor ou se tenho que ter cuidado com as palavras. Não é horóscopo que deveria chamar, tinha mesmo é que ser 'manual'. Mas dever ser mais uma daquelas coisas que só percebo...
E não é que eu seja amargo, nem pense nisso! Ainda nem li meu horóscopo!!!

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