15 de mar de 2007

Ana e Carlos - fragmento do conto "História (talvez) de amor".

Ana era de Touro e Carlos de Áries.
Ela lia o horóscopo aos domingos, mas lia todos os signos, para escolher o melhor para ela naquele dia. Ele nem lia. E imagino que você, agora, tenta lembrar se essa combinação astrológica é boa. Então já te adianto:
“Uma relação delicada, onde o Touro ensina o Áries a louvar seus dons e talentos e a usar de maneira mais concreta e objetiva sua grande energia criadora. Pode ser que a busca de estabilidade do Touro seja traduzida como lentidão para o Áries. Em compensação, a sensualidade de ambos pode ser um ponto alto da relação. Áries ensina o Touro a se aventurar mais, ao mesmo tempo em que sofistica os gostos do parceiro.”

No futuro, que atingiremos tão logo você consiga deixar de lado essa tristeza de descobrir a existência de um amor anti-romântico, você descobrirá que Carlos não tem energia criadora nenhuma e que Ana, instável, tem espírito totalmente aventureiro enquanto Carlos, de sofisticado, só tem uma camisa Gucci, dada por Ana. E o pior, vai descobrir também que quem escreveu o texto sobre a conjunção astrológica foi Carlos, desempregado.

De volta ao primeiro encontro e depois das batatas fritas, o sol já acabava lá fora. O telefone dele não tocou, o dela mais duas vezes. Talvez ele tenha olhado para ela de uma forma diferente quando a segunda ligação terminou e ele pode ouvir ela dizendo “quem sabe” antes de desligar. E você, já sei, suspirou. Mas Carlos não, ainda não.

- Eu tinha que jantar com meus pais mas, sinceramente, vontade zero...
- E eu então! Ver carro novo do irmão no final de um domingo é um programão!
- O pior é que sempre rola aquele papo de “você tá namorando, meu filho”? Sabe que meu pai já até desconfiou que eu era gay? Tudo porque achou uma calcinha no meu sofá! Desistiu da idéia quando viu a Flávia Alessandra nua na gaveta do banheiro...
- Minha mãe também! Vive dizendo que minhas amigas todas casaram, menos eu. Depois tenta consertar dizendo que tem uma filha moderna, que prefere a estabilidade profissional a se encostar num homem qualquer.
- E você é mesmo assim?
- E você é mesmo gay?

(...)

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